Como funciona o Open Banking no Brasil
O Open Banking brasileiro é um sistema regulado de compartilhamento de dados financeiros entre instituições autorizadas pelo Banco Central. Entender sua estrutura técnica e as fontes de dados que ele gera é o primeiro passo para trabalhar com essas informações de forma responsável.
O que é o Open Banking e o que ele não é
O Open Banking — denominado oficialmente como Sistema Financeiro Aberto pelo Banco Central do Brasil — é um conjunto de normas e APIs padronizadas que permite ao consumidor autorizar o compartilhamento de seus dados financeiros com outras instituições participantes. A regulação foi estabelecida pela Resolução Conjunta nº 1 do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, publicada em maio de 2020.
É importante delimitar o que o sistema não é: o Open Banking não é um banco, não é uma plataforma de investimentos e não fornece sinais de compra ou venda de nenhum ativo. É uma infraestrutura regulatória que padroniza como dados trafegam entre participantes autorizados, mediante consentimento explícito do titular dos dados.
A distinção importa porque análises baseadas em dados do Open Banking descrevem fluxos e padrões, não recomendam ações. Quem trabalha com esses dados precisa ter clareza sobre esse limite antes de comunicar resultados.
As fases de implementação
O Banco Central estruturou a implementação em quatro fases, lançadas entre fevereiro de 2021 e dezembro de 2021. A Fase 1 abriu dados de produtos e serviços das instituições participantes — informações como tarifas e condições de crédito. A Fase 2 habilitou o compartilhamento de dados cadastrais e transacionais dos clientes, sempre com consentimento. A Fase 3 introduziu o início de transações de pagamento via Pix a partir de plataformas terceiras. A Fase 4 expandiu o escopo para outros produtos financeiros, incluindo câmbio, investimentos e seguros.
A partir de 2023, o Banco Central consolidou o conceito mais amplo de Open Finance, que engloba o Open Banking e estende o compartilhamento para o ecossistema financeiro completo. Os dados públicos de monitoramento publicados pelo Banco Central, disponíveis em dados.gov.br, registram o crescimento no número de consentimentos ativos e de chamadas às APIs ao longo dessas fases.
Quem participa e como os dados são organizados
A participação no sistema é obrigatória para instituições de maior porte e voluntária para as demais, conforme definido pelo Banco Central. O diretório de participantes é público e pode ser consultado no portal do Open Finance Brasil. Cada participante expõe suas APIs segundo um schema técnico padronizado, o que permite que diferentes instituições integrem dados de forma interoperável.
Do ponto de vista analítico, os dados acessíveis publicamente — sem autenticação — são os dados de produtos e serviços da Fase 1. Os dados transacionais e cadastrais das fases posteriores exigem consentimento do titular e credenciais de acesso. Para pesquisa educacional e análise de mercado em escala agregada, o Banco Central publica relatórios periódicos com estatísticas do sistema, acessíveis em bcb.gov.br.
Fontes de dados públicos disponíveis
O Banco Central do Brasil publica regularmente dois conjuntos de dados úteis para quem estuda o Open Finance: os relatórios de monitoramento do sistema (com volumes de consentimentos, chamadas de API por fase e participantes ativos) e as estatísticas de Pix (que incluem dados transacionais agregados, sem identificação individual). Esses conjuntos estão disponíveis em dados.gov.br sob licença aberta.
A FEBRABAN também publica relatórios periódicos sobre a adoção do Open Banking pelo setor bancário, com recortes por porte de instituição e tipo de produto. Esses relatórios não são dados primários no formato de API, mas são fontes secundárias úteis para contextualizar os números do Banco Central.
Uma ressalva metodológica relevante: os dados públicos de monitoramento descrevem volume e disponibilidade do sistema, não os conteúdos das transações. Análises responsáveis apresentam hipóteses sobre comportamento do mercado com base nesses volumes, não conclusões sobre operações individuais.
O que muda para quem analisa dados financeiros
Para equipes de análise, o Open Banking criou uma nova categoria de fonte: APIs que retornam dados financeiros estruturados, com schemas documentados e versionados. Diferente de relatórios em PDF ou planilhas publicadas por reguladores, essas APIs permitem consultas programáticas — mas também exigem entender o schema de cada versão, as limitações de cobertura e as diferenças entre o que é mandatório e o que é voluntário para cada tipo de instituição participante.
A reprodutibilidade das análises baseadas em Open Banking também é um desafio técnico específico: dados retornados por uma API em uma data podem diferir dos retornados semanas depois, seja por atualização de cadastro, por desligamento de um participante ou por mudança de versão do schema. Documentar a data e a versão da consulta é parte indispensável de qualquer análise que pretenda ser verificável.
Como aprofundar o entendimento técnico
As fontes primárias para quem quer entender o sistema em profundidade são: a documentação técnica do Open Finance Brasil (disponível em openfinancebrasil.org.br), as resoluções e circulares do Banco Central relacionadas ao tema (indexadas em bcb.gov.br), e os conjuntos de dados abertos em dados.gov.br. A leitura do schema das APIs — em especial as versões mais recentes das APIs de Dados Abertos — é o caminho mais direto para entender o que pode ser consultado sem autenticação.
A Ambare dedica uma sessão inteira da Oficina de Consultas a esse mapeamento de fontes: quais dados estão disponíveis publicamente, quais exigem consentimento, e como documentar uma consulta de forma que outra pessoa possa reproduzi-la. O objetivo é que cada participante saia com um repositório funcional, não apenas com familiaridade conceitual com o sistema.
Conteúdo educacional. Não constitui recomendação de investimento, conselho financeiro ou sinal de mercado. A renda não é garantida. As fontes citadas são públicas; a Ambare não é afiliada ao Banco Central do Brasil, FEBRABAN ou qualquer outra instituição mencionada.
Quer trabalhar com esses dados na prática?
A Oficina de Consultas da Ambare cobre exatamente esse terreno — de forma ao vivo, com exercícios em dados reais.
Fale com a EquipeLeia também: Dados públicos do Banco Central: como usar